domingo, 28 de fevereiro de 2010

Proporcionalidade

Depois de ouvir um monte de música Khmer, tocar e estar imersa na cultura deles, parei para perceber coisas interessantes.

Depois de muito contato, intenso, com europeus, australianos e norte-americanos, no hostel, fui reparando que existe em mim um "developing country pride" muito grande. Nada que gere hostilidade, não, é só orgulho mesmo, por perceber o quanto eu amo meu país, minha cultura, minha língua, minha música. Inclusive por ter conhecido, profunda e superficialmente, muitos backpackers que não têm esse tipo de apreço por seus respectivos países. Gostam de sua casa, de seus amigos e família, mas em geral confessaram sentimentos de vergonha e tédio grande. Isso, claro, excluindo os opostos, como muitos que tratam os países visitados como prostitutas baratas, desrespeitando, só consumindo e sentindo nojinho enquanto o fazem.

E foi então que entendi que não é só um "developing country pride", é do Brasil mesmo. Baixei um monte de música brasileira, que ficou no desktop em Barão Geraldo, para gravar alguns cds como presentinhos de agradecimento e entregar, a pessoas fantásticas que conheci, no dia em que farei um jantar-despedida, com comida brasileira (feijoada e quindim) e música de fundo. Ao ouvir de novo música brazuca, após mais de um mês, me bateu uma coisa deliciosa. Estou triste por ter tão pouco tempo no Camboja, mas lembrar de como meu país é do cacete, em termos culturais, e de clima, e de sorrisos, amenizou um pouco a sensação de deprê. Percebi que, quanto mais me apaixono pelo Camboja e pela música Khmer, mais me apaixono junto pelo Brasil e pela nossa música.

Ora, é gracioso como os english-speakers falam que meu inglês é ótimo, mas que meu sotaque é exótico, duma forma legal. Falam que eu falo super cantado. Um canadense, que fez amigos brasileiros em Israel, disse que ao me ouvir brincando e fazendo piadas com ele sentia saudades, pois é um tipo de brincadeira que até hoje só viu brasileiros fazerem. O Arn Chorn-Pond disse que falo mais alto e expressivamente que o restante (foi com uma conotação positiva, gente, eu juro) e eu e dois chilenos passamos horas falando em espanhol (e de vez em quando um bom portuñol, pois eles adoram a sonoridade do português) de nosso continente e nossas culturas.
(Os únicos franceses que estiveram aqui, em grupo grande, entraram no dormitório (de onze camas) cantando La Marseillaise e não falaram com absolutamente ninguém... acho que tenho sim bode com franceses).

E por fim, lembrei muito de minha mãe, pois ouvindo diferentes músicas carnavalescas me deu uma saudadona de pular carnaval brasileira e tradicionalmente. Realmente me emocionou descobrir esse meu lado.

Agora, esperando para amanhã cedinho ir para Mondulkiri, longe de internet, calor e música Khmer. Outro lado do Camboja, e outro modo de ver elefantes, pois aqui é engraçado, na avenida, no Riverside, enquanto andando de moto, simplesmente passa um elefante andando no meio da rua.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Mestre Kong Nay e viagem a Siem Reap

Tive, na última quarta-feira, minha primeira aula de Chapei com o mestre Kong Nay.
Fui até a casa dele, que fica bem longinho daqui. Sentei numa espécie de tablado que é comum no Camboja, dentro e fora das casas (em especial no interior), com ele já sentado, me esperando. Atrás dele, no canto da parede, dois Chapeis. Seu filho deu a ele um terceiro - sem ossos de vaca, inteiramente de madeira e sem ornamentos. Nisso incluem-se os trastes também. O som fica diferente, e por isso creio que as madeiras utilizadas sejam diferentes.
(O Chapei é sempre feito com três tipos diferentes de madeira, que variam de mestre para mestre, de Chapei para Chapei; uma madeira bem grossa para a caixa de ressonância, uma madeira mais fina que é pregada com parafusos para tampá-la; o braço - pescoço, como é dito no Chapei (Chapei Dong Veng significa "Chapei Pescoço Longo") é feito de uma terceira)

Figura extremamente carismática e sorridente. Começou a tocar a primeira canção, supondo que eu não soubesse. Toquei o começo, ele prosseguia. Então, ainda sem dizer uma palavra, mostrei que sabia boa parte, e ele prosseguiu de onde parei. Passou frases mais longas do que Savy. Após tocar algumas vezes e perceber que decorei o som, ao menos, colocava o seu Chapei à frente e esperava até que eu tocasse tudo, não apenas todas as notas certas no tempo certo, mas também com maior articulação. Toda vez que eu tocava certo e/ou bem, ria alto, como com satisfação, dizendo "ba, ba, ba!" - algo como "sim, sim, sim" em Khmer, para homens; mulheres usam outra expressão.
O que achei muito bom foi o fato de que boa parte das frases, nessa aula, peguei sem o som e a visão do Chapei, mas apenas pela melodia sendo cantada pelo Mestre ou pelo seu filho. Bom que esteja bem familiarizada com o Chapei e seu som. Aliás, o que era uma bolha imensa no meu dedo indicador se tornou um ótimo e grosso calo. Bão, muito bão.

Na sexta-feira peguei um ônibus para Siem Reap. Após uma cansativa viagem de seis horas saí para jantar, sozinha, e dar uma olhada na cidade. Sem todo o barulho de buzinas e o caos de Phnom Penh, mais vazia e limpa. Extremamente turística, porém, o que me incomodou um pouco. Os preços eram mais caros, até mesmo para a comida de rua, todos falavam inglês melhor que em Phnom Penh e o tempo inteiro tuk-tuks cheios de ocidentais indo para os templos.
No sábado de manhã liguei para Sambor, parte da organização da ONG em Siem Reap, e combinamos de assistir à aula de música clássica de casamento com o mestre Man Men numa vilinha. Estilo diferente das aulas do mestre Sok Duch, todos os instrumentos tocam com dinâmica forte. Foi a primeira vez que de fato percebi diferença de dinâmica num mesmo gênero de música Khmer, por questão de estilo. Os outros gêneros ou são fortes o tempo inteiro, como Pin Peat e Chapei, ou sempre mais suaves, como o Smot.
A formação, claro, é a mesma. Man Men, como Sok Duch, constrói e toca todos os instrumentos do conjunto. O Ksae Diev que na foto é tocado pelo garoto de blusa preta, ele me disse, foi feito para mim, quando tinha pedido para Sambor há um bom tempo. Uma pena que não esteja com o dinheiro para comprá-lo agora...
O que me agradou também nessa diferença estilística é que a voz é também cantada com mais intensidade. A menina da foto, tocando o instrumento percussivo (de madeira e pele de cobra curtida em um suco de manga), canta com uma projeção absurda. Sabe apenas poucas músicas, pois o Mestre Man Men acredita que aprender a cantar muita coisa com essa idade leva à surdez forte e precoce na vida adulta. Não entendi bem de onde vem essa crença, e não souberam me dizer se os outros mestre concordam. Boa coisa a ser perguntada no futuro.
Reparei no Chapei de Man Men e ele, curioso ao saber que estou tendo aulas, deu-me para testar. Mais parecido com o de Sok Duch, mais leve, sem ornamentos, com um som mais rústico. Ossos de vacas nas superfícies dos trastes, e quando tentei tocar a primeira canção entendi a questão da mobilidade dos trastes. O Chapei possui duas cordas, porém três tarrachas; a terceira segura uma corda encostada ao longo de todo o pescoço, que passa por todos os trastes por meio de pequenos orifícios. Os trastes são presos ao pescoço com cola, mas a corda serve para o caso de, no meio duma performance, o traste descolar; a corda o segura e a performance é salva.
São os trastes colados, sem muita firmeza, para que se possa movê-los de acordo com o gênero. Na performance solo de Chapei, usa-se todos os trastes. Quando o Chapei é tocado num conjunto, como na música clássica de casamento, menos alturas são usadas. Portanto move-se todos os trastes e o último fica na caixa de ressonância, fora do alcance dos dedos.
Por esse motivo foi impossível passar da quarta frase da primeira canção.
O som acaba sendo mais brilhante, não tanto pela madeira usada, mas porque não usam a palheta que o mestre Kong Nay utiliza. Sok Duch usa uma palheta feita de osso, enquanto Man Men usa uma espécie de dedal, colocado no indicador direito, feito de chifre de búfalo. O som sai mais brilhante e, quando tentei, tive mais agilidade, provavelmente por redistribuir os movimentos, concentrados no pulso, para mais um dedo.
O Mestre deu para mim esse dedal.

No domingo pela manhã fui visitar a aula de Kantoam Ming. São dadas num templo budista um pouco afastado da cidade. Lá, perto de onde moram os monges, há ruínas de um dos templos como o Angkor Wat e contemporâneos deste.
Kantoam Ming é música tocada em cerimônias fúnebres, alternadamente com o Smot. É tocada por um pequeno conjunto de instrumentos, um de sopro (não faço idéia da transliteração), voz, o conjunto de pequenos gongos, dois gongos grandes e um instrumento de percussão. Na aula que visitei, infelizmente, os alunos de canto e do instrumento de sopro não estavam na cidade. Ouvi então os outros instrumentos sendo tocados, como tocariam normalmente. Música bem lenta, com tempo bastante marcado. As notas e os tempos tocados por esses instrumentos são parecidíssimos , tanto dentro da mesma canção quanto entre si, em canções diferentes. Creio que o caráter repetitivo tenha a ver com a ritualística da coisa. Como a idéia do mantra, da reza budista em que o movimento com o corpo é repetido diversas vezes em devoção e etc.
Agora estou curiosíssima para ouvir Kantoam Ming em seu conjunto completo. Em especial por ter fixado bem na memória o que é tocado pelos instrumentos percussivos.
Relacionando com o que disse em outro post sobre o Smot: Sambor disse que é muito difícil encontrar alunos de Kantoam Ming; em geral os jovens acham uma música parada, por ser lenta. Não acham divertido, por ser fúnebre, e então não querem tocar. Queria ir numa cerimônia fúnebre (dura de um a três dias) para ver como é, como a música é utilizada, qual a diferença funcional do Kantoam Ming e do Smot.
O Kantoam Ming, como o Smot, utiliza textos budistas que reiteram a naturalidade da morte, por ser parte essencial dentro do ciclo da vida.

Agora, de volta a Phnom Penh, após ver alguns templos, inclusive o Angkor Wat - minha primeira ação realmente turística no Camboja. As ruínas são impressionantes, mas os turistas realmente cansam.
Após resolver mais alguns problemas burocráticos e financeiros, amanhã, de volta às aulas e ao trabalho. Em especial agora que as coisas vão ficando bem claras e se afunilando, na minha cabeça, com relação ao meu projeto. Com as especificidades que tenho em mente já tenho quase um projeto inteiro para escrever.

Fico por aqui, já que é madrugada e há dias não durmo mais de 5 horas numa noite.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Update

Após resolvidos todos os problemas burocráticos e os outros, de ordem logística, já há uma semana as coisas só têm dado certo.

Tive hoje a terceira aula de Chapei com Savy. As coisas estão indo muito bem, e rapidamente. Finalmente estou conseguindo pegar a técnica da mão direita - tanto a soltura do pulso quanto o melhor modo de segurar a palheta (preciso descobrir o nome que dão para ela). Assim, estou enfim conseguindo fazer uma espécie de trinado que é bem característico do Chapei - achei o mais complicado até agora.
Com isso, estou terminando a primeira canção. Não souberam me passar a transliteração, em Khmer, do nome original. Sei pronunciar, não sei escrever. Outra coisa que preciso descobrir.

Ontem aproveitei que Vithur, parte da administração da ONG, estava indo para Takeo e Kampong Speu e peguei uma carona para visitar as aulas de Smot e de música clássica de casamento (clássica em oposição à moderna, que tem seu conjunto de instrumentos diferente e, portanto, toda uma sonoridade e repertório distintos).
Fomos de carro, num 4X4, e foi ótimo conhecer o interior cambojano. E interior, digo, a caminho de duas vilas que ficam no meio do nada. A primeira, a meia hora de Takeo; a segunda, a quarenta minutos de Kampong Speu. Não têm eletricidade, são vilas minúsculas e deliciosas. Em Takeo conheci o mestre Sok Duch; importantíssimo, pois é quem melhor faz instrumentos e é o mestre virtuoso do Khsae Diev, um instrumento de uma corda com uma cabaça que se encosta no peito esquerdo ao tocar (e é por isso chamado de "heart instrument", como Vithur me contou).
Sok Duch é um excelente construtor de instrumentos e mestre de música de casamento pois toca todos os instrumentos - o que é raro. Inclusive toquei seu Chapei (que, soube mais tarde, o mestre Kong Nay não gosta; acha sua sonoridade 'errada') para sentir a diferença. Corpo mais leve, ressonância bem diferente pela disposição de orifícios minúsculos ao redor do central. Suas cordas ficam mais juntas e justas nos trastes (estes inteiramente de ossos de vaca, enquanto no meu apenas a parte superior dos trastes é feita de ossos), seu braço é mais estreito e curto. No resultante, para tocar, acaba tendo um pouco mais de rigidez para os dedos. Acho que isso facilitou para mim, ficou mais próximo do violão.
Assisti à essa aula, quatro canções que os alunos tocaram. Jeff, um americano que estava na carona conosco, tocou Khsae Diev em duas das canções. Jeff passou um ano aqui no Camboja por um programa no qual foi selecionado, após se formar em música, fazendo estudos etnomusicológicos e aprendendo o Khsae Diev com Sok Duch. Voltou agora para focar na música de casamento, seu estilo preferido de música Khmer - assim como o meu. Foi inspirador conhecê-lo, já que fez exatamente o que busco fazer. Acho que terei de ir pra fora antes do planejado para poder voltar para o Camboja por um ano, com patrocínio (alguma expressão melhor para 'sponsored'?)

Deixamos Jeff lá, que levou oferendas para seu mestre para matar a saudade de dois anos longe, e partimos para a vila perto de Kampong Speu (a sudoeste de Phnom Penh). A ONG aluga uma espécie de sala dentro duma pagoda bem grande. Smot é música fúnebre e usada em rituais budistas diversos, sempre para voz solo. O texto utilizado é sempre de natureza sagrada, em geral poemas budistas usados em rezas. Os alunos, novíssimos, me impressionaram. Parece algo impossível de se cantar, para mim, e eles, com dois meses de aula, cantam lindamente. Infelizmente a mestra não estava presente, mas ainda assim vale a pena.
O curioso é que a ONG teve de alugar a sala da pagoda, com os monges, pois os Khmer, atualmente, não conseguem lidar bem com Smot. Têm medo, estranham, é como se fosse algo demasiado soturno para se ouvir. É tão incômodo que moradores pedem para que as aulas se cessem.
Curioso, pois é para mim algo sublime; totalmente compreensível que seja ritualística. O estilo é muito usado, também, quando alguém está à beira da morte. Como se o equivalente à última confissão cristã - sem o sentimento de culpa, claro. Acho que parte dessa má digestão sonora do Smot, para os Khmer, deve se relacionar ao regime do Pol Pot e todas as guerras e conflitos que tiveram até recentemente.

Agora é relaxar, deixar meus dedos e palma da mão esquerda se recuperarem - uma bolha gigantesca no dedo indicador, calos no restante - para segunda-feira, quando tenho minha primeira aula de Chapei com o mestre Kong Nay. Também na segunda começo a ensinar notação musical para uma aluna de Pin Peat, Nisa, de dezesseis ou dezessete anos, que é extremamente talentosa e tem mil idéias e projetos para a preservação da música tradicional Khmer - e além de tudo quer estudar composição musical no ensino superior. Pretendo voluntariar na ONG ensinando aos alunos notação musical, porém ainda me pergunto quão válido seria ensinar essa notação específica para quem lida com uma música tão diferente. Acho que coisas teriam de ser mudadas nesse sistema; como um novo sistema, mesmo.

Tentei colocar aqui um vídeo que fiz, no carro, durante a viagem Takeo-Kampong Speu. - não deu. Tento novamente mais tarde.
Muitas coisas me lembraram o Brasil, aqueles lugares "no meio do nada", região central, nordestina, sertaneja... Guimarães Rosa até. "Same same, but different", como os Khmer dizem o tempo todo por aqui.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Primeira aula de Chapei Dong Veng

Tive hoje minha primeira aula de Chapei Dong Veng com Ouch Savy, pupila do mestre Kong Nay.

Ela havia me pedido para levar algumas coisas: frutas, um pano branco, liso, grande e virgem, incensos, velas. Estendeu uma esteira no chão, ajeitou tudo o que trouxe num prato, acendeu uma vela acomodada numa tigelinha com arroz. Deu-me uns 6 incensos juntos para que eu acendesse e desse a ela, num gesto de respeito, pela relação mestre-estudante que estava começando. Pegou os incensos e, enquanto fazia uns buracos nas frutas (que sinceramente não sei o que eram) e pregava os incensos juntos numa das bananas, como nas oferendas budistas, fez uma espécie de reza breve, em Khmer, e só pude identificar meu nome sendo dito algumas vezes.

Achei extremamente bonita a forma com que essa música tradicional é lidada aqui. Não tinha noção de que havia essa pequena cerimônia para se passar adiante a música, como é feito com Yoga, com artes marciais. Justíssimo.

E então a aula começou. Ela afinou o seu Chapei e eu tive de afinar o meu, de prima, de ouvido Não me disse uma palavra. Já tinha noção de que as cordas, iguais, são afinadas com um intervalo de quarta justa entre si - sorte que calhou de ser um intervalo existente no nosso sistema ocidental de música. A música Khmer possui uma escala diferente, e seus intervalos e alturas utilizadas raramente batem com os nossos.
Depois de afinados ambos os instrumentos ela simplesmente olhou pra mim, tocou uma frase e me mandou imitar.
É isso.

Peguei rapidamente; ajudou lembrar das minhas aulas de violão, quando pré-adolescente, pois eu tinha uma preguiça danada de ler partitura e, fingindo que lia, só pegava de ouvido e vendo meu professor tocar.
Ela se preocupou apenas com a minha memória. "Can you remember? You think it's okay if I give you more notes?"

O som ainda está mais ou menos, óbvio; as cordas são grossas, os trastes, feitos de ossos de vaca, são super altos; a corda nunca encosta no braço do Chapei, o que dificulta um pouco meu dedo acostumado com o violão. A mão mexe por inteira ao manipular uma espécie de palheta, feita pela mesma corda do Chapei, dobrada e amarrada. O Chapei, cuja caixa de ressonância é super magrinha e tem um orifício modesto no centro, deve ser tocado sempre com vigor, forte, para que se ouça bem o som.
Foi estranho ter uma aula de música em que o som perfeito e padronizado e etc não é o mais importante. Isso, acho, melhora com o tempo e com umas dicas aqui e acolá. O que importa é a memória, a sua capacidade de decorar uma música inteira de primeira.

Pelo que entendi, conversando com uma menina que toca num Pin Peat ensemble, é assim com música Khmer em geral. No Pin Peat, e creio que no Chapei após certa experiência do aluno, o professor apenas canta a melodia e o aluno tira.
(Eles têm ouvidos muito bons)

Já tenho a próxima aula marcada. Savy disse que tirei mais rápido do que o normal: maravilha!

E lembrei do que ela havia me contado num outro dia: há apenas quatro mulheres que tocam Chapei no Camboja; ela, duas que não conheço e, disse, "agora você".

Sinto como se eu tivesse treze anos de novo e estivesse aprendendo meu primeiro instrumento na vida: animada e emocionadinha.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Chapei

Breve e fantástica notícia: Comprei hoje meu Chapei. Não daria tempo de ser feito pelo mestre que constrói instrumentos, então comprei um do mestre Kong Nay. Dele.

É como comprar uma guitarra do Albert King ou do Stevie Ray Vaughan, ou comprar um trompete com o Chet Baker. Com eles vivos ainda, claro.