Muito, muito bonito. Ouçam.
Smot
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Com acentos!
Ó, gente, eu tenho uma preguiça danada dessas coisas - não tirei nenhuma foto de nada, não tô muito afim de contar mais coisas e etc mas, como ganhei várias mamães que pedem notícias, escrevo um pouquinho.
Hoje fui jantar na casa do Arn Chorn-Pond, o fundador da ong, CLA. Um cara super pra cima, tem uma casa linda (algo que me pareceu como o Embu de Phnom Penh), comi comida cambojana caseira com a filha do Peter Gabriel, Dan, o americano que está sendo minha prestativíssima ponte nessa empreitada, Savy, que me dará aulas de Chapei assim que consegui-lo, uma filipino-americana amiga do Dan, e mais uns. Foi bastante agradável, ouvi um pouco de umas gravações do Arn, inclusive pude ouvir o som da flauta Khmer dele - lindo, lindo. Ficou super animado, diz que planeja ir ao Brasil algum dia, acho que nos veremos bastante ainda. Gostamos bastante um do outro. E confesso que é um pouco surreal conhecer alguém assim, com essa história, que sobreviveu ao genocídio, aos campos de concentração, e que ainda foi forçado a lutar numa guerra antes de conseguir escapar pela Tailândia. Mas é isso aí, contou que depois de anos morando nos Estados Unidos (adotado, já que toda sua família foi exterminada na década de 70) conseguiu resolver seus pesadelos e voltou pra cá. Viu as coisas boas e não apenas o passado tenebroso. Achava que não teria oportunidade de conhecê-lo, foi uma baita surpresa. Acho que muitas coisas boas sairão disso.
À parte isso, minha gente, só tenho a contar que espero resposta dos mestres que constróem instrumentos e do cara da agência que barateou minha passagem, pois pretendo adiá-la - quero voltar uns oito dias mais tarde.
O bom é que acho que, finalmente, estou me acostumando ao fuso-horário. 23h aqui, estou morrendo de sono. Portanto, é isso.
Hoje fui jantar na casa do Arn Chorn-Pond, o fundador da ong, CLA. Um cara super pra cima, tem uma casa linda (algo que me pareceu como o Embu de Phnom Penh), comi comida cambojana caseira com a filha do Peter Gabriel, Dan, o americano que está sendo minha prestativíssima ponte nessa empreitada, Savy, que me dará aulas de Chapei assim que consegui-lo, uma filipino-americana amiga do Dan, e mais uns. Foi bastante agradável, ouvi um pouco de umas gravações do Arn, inclusive pude ouvir o som da flauta Khmer dele - lindo, lindo. Ficou super animado, diz que planeja ir ao Brasil algum dia, acho que nos veremos bastante ainda. Gostamos bastante um do outro. E confesso que é um pouco surreal conhecer alguém assim, com essa história, que sobreviveu ao genocídio, aos campos de concentração, e que ainda foi forçado a lutar numa guerra antes de conseguir escapar pela Tailândia. Mas é isso aí, contou que depois de anos morando nos Estados Unidos (adotado, já que toda sua família foi exterminada na década de 70) conseguiu resolver seus pesadelos e voltou pra cá. Viu as coisas boas e não apenas o passado tenebroso. Achava que não teria oportunidade de conhecê-lo, foi uma baita surpresa. Acho que muitas coisas boas sairão disso.
À parte isso, minha gente, só tenho a contar que espero resposta dos mestres que constróem instrumentos e do cara da agência que barateou minha passagem, pois pretendo adiá-la - quero voltar uns oito dias mais tarde.
O bom é que acho que, finalmente, estou me acostumando ao fuso-horário. 23h aqui, estou morrendo de sono. Portanto, é isso.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Phnom Penh
Achava que teria mais acesso a internet. O hostel em que estou, embora muito legal, nao tem internet - mas, pelo jeito, eh algo bem comum por aqui. O restaurante ao lado tem wi-fi, o hostel pega o sinal, e aparentemente um ou dois hospedes tem a senha. Um cara, porem, me passou errado e sumiu. Se conseguir a certa, soh alegria.
A musica aqui ainda esta em baby steps. Enquanto nao conseguir um sim card cambojano fica dificil marcar as aulas e etc. Preciso saber quando meu chapei fica pronto pra entao agendar aulas e visitas - de acordo com os ensaios que tiverem.
Resumindo, entao: estou completamente apaixonada por esse lugar. Foi uma viagem durissima, a primeira vez em que senti, de fato, meu corpo a beira de um colapso. Chegando em Bangkok eu mal conseguia andar, e o ritmo e a energia do aeroporto sao extremamente intensos, mesmo quase de madrugada. Muitos estrangeiros, e muitos turistoes. Fiquei conversando, em Doha, por horas, com um nigeriano gente finissima que ja morou no Vietna, ja veio bastante ao Camboja e etc, e ele sempre diz que todos os seus amigos que vao pra Bangkok nao querem voltar - wild partying. E um dos motivos, obviamente, eh o turismo sexual. Mulheres extremamente baratas, como eles mesmos dizem. Talvez tenha a ver com isso, nao sei, eu so queria ir embora de Bangkok logo. Passei uma noite la e me dei o luxo de dormir decentemente. Desisti de ir conhecer a cidade, seria muito imprudente com o estado em que estava.
Chegando no Camboja dei uma espiada pra fora da janela uns quinze minutos antes da aterrissagem. Foi amor a primeira vista. Ja de longe me apaixonei, ja de longe eh algo lindo. Como se fosse uma alma gemea, nao sei, faz tanto sentido eu estar aqui. Tudo aquilo que eu disse sobre a Europa, sobre a cultura e etc, eh por puro contraste. Nao refuto nada, por mim eu conheceria tudo se tivesse dinheiro - e eh bem provavel que va fazer uma pos-graduacao la, onde a etnomusicologia tem mais espaco. Eh simplesmente como, depois de varios namoros, voce encontrar aquela que eh a pessoa certa. Voce simplesmente sabe, pode nao ter explicacao nenhuma. E os outros namoros sao validos, claro; soh nao tinham esse sentido todo.
Estou completamente apaixonada por Phnom Penh. O clima eh super agradavel - nada muito diferente do Brasil; bate uma brisa deliciosa nesse sol gostoso (bem menos quente que o de Barao Geraldo, alias), as pessoas sao extremamente sorridentes e abertas, gentis demais. Estava procurando um sim card, com muita dificuldade, e resolvi perguntar a uma atendente. Ela comecou a rir, gostosamente, por nao falar ingles, e entao nos esforcamos ao maximo para travar comunicacao. Todos sao assim aqui, todos abrem um sorriso lindo e tentam ao maximo se comunicar.
O transito eh bem caotico, eh completamente normal entrar na contramao se for mais facil. As motos dominam as ruas, por serem mais baratas, e quando ha carros, a maioria eh 4x4. Impera a lei do maior - os veiculos maiores tem prioridade sobre os outros, e pedestres ficam em ultimo lugar. Mas todos andam aqui a 40 por hora, entao eh tranquilo se enfiar no meio das motos ate conseguir atravessar tudo.
As coisas sao extremamente baratas; o chopp, no happy hour (que dura o dia todo), eh sessenta centavos de dolares. Bebi varias com dois ingleses, de quem ja fiquei mui amiga, o namorado cambojano de uma e dois amigos deste. Foi muito legal conversar com jovens cambojanos, mesmo que o ingles tenha ficado um pouco para tras.
Os dois ingleses, alias, estao praticamente se mudando para ca. Se conheceram no hostel mesmo, ambos tinham voluntariado em diferentes orfanatos, agora estao procurando trabalho pra entao arranjar um apartamento. O dono do hostel, Roger, eh um americano da Louisiana, que alias eh guitarrista (e já tocou com o Bo Diddley!) Sensacional. Tem uma filha aqui e adotou outra crianca cambojana - estou apaixonada por ela. E eh reciproco, tenho vontade de rouba-la para mim!
Tudo isso para dizer que tem algo de especial nesse lugar. Me lembra Cavalcante, pois as pessoas nao querem ir embora. Conheci uns canadenses que disseram nao aguentar mais de uma semana em Phnom Penh, "too dirty". Mas, quem esta interessado na cultura local, nao quer sair. Sei que ainda tenho quase um mes pela frente aqui no Camboja, mas ja acho muito pouco. Nao quero ir embora.
Nao estranhem se eu nao voltar mais.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Em Paris
Achava que seria tudo muito mais difícil e burocrático. Só estava com meu passaporte, vi um monte de gente respondendo a um monte de perguntas com o passaporte nas mãos dos 'fiscais', ou o que o valha, e eu fiz uma cara de criança perdida: "I have to take a flight do Doha, I don't have a visa, I don't have a copy of my flight reservation, because actually..." - "Go there, please".
Ê coisa de principiante que nunca saiu do país.
A outra mulher, falando português europeu, fez cara de perdida de volta e mandou eu me virar, basicamente. E depois de perguntar coisas em inglês e receber respostas em francês (que por sorte entendo bem, embora não fale) até do cara do balcão de informações, consegui encontrar o guichê pra check-in do Qatar airways - é engraçado, tudo o que é 'exótico' fica longe. Longe, digo, você atravessa o aeroporto inteiro, deixa o carrinho, pega as malas, pega um metrozinho e de repente, tcharam! Companhias aéreas para lugares exóticos. Malaysian airlines, Qatar Airways, TAM, etc.
E então, pouquíssimos europeus. Uns australianos surfistas, montes de médio-orientais, alguns asiáticos.
Isso pareceu mais um primeiro escrito de diário de primeira viagem; mas, bem, é isso aí.
(O engraçado é que, claro, adoraria conhecer Paris. Mas essas horas de espera em meio a europeus só me deram mais vontade de ir logo pra Ásia)
Ê coisa de principiante que nunca saiu do país.
A outra mulher, falando português europeu, fez cara de perdida de volta e mandou eu me virar, basicamente. E depois de perguntar coisas em inglês e receber respostas em francês (que por sorte entendo bem, embora não fale) até do cara do balcão de informações, consegui encontrar o guichê pra check-in do Qatar airways - é engraçado, tudo o que é 'exótico' fica longe. Longe, digo, você atravessa o aeroporto inteiro, deixa o carrinho, pega as malas, pega um metrozinho e de repente, tcharam! Companhias aéreas para lugares exóticos. Malaysian airlines, Qatar Airways, TAM, etc.
E então, pouquíssimos europeus. Uns australianos surfistas, montes de médio-orientais, alguns asiáticos.
Isso pareceu mais um primeiro escrito de diário de primeira viagem; mas, bem, é isso aí.
(O engraçado é que, claro, adoraria conhecer Paris. Mas essas horas de espera em meio a europeus só me deram mais vontade de ir logo pra Ásia)
Ah, e claro - conheci um brasileiro que mora na Paulista, no prédio da Gabi. Só pra garantir que a lei continua e, não importa aonde vá, você vai encontrar/conhecer alguém que está muito perto do teu mundo e tua realidade.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
CLA e questões culturais
Como já está tudo pronto para a viagem - passaporte, pagamentos, acertos com o programa de uma semana, aulas pré-agendadas, luthier que fará o Chapei e, quiçá, o Tro Khmer para mim, etc - recebi um guia de orientação do programa de voluntariado. Ficarei só uma semana em Mondulkiri, mas o guia dá dicas gerais pro Camboja inteiro - até meio over, como é de se esperar que sejam guias pra turistas que focam europeus e americanos.
(Aliás, é muito legal ver sites americanos falando como é ser um turista no Brasil; em São Paulo em especial! Fazem um terrorismo e tratam os "nativos" como se fôssemos uma sociedade primitiva que está entre o neanderthal e o homo sapiens; tá, exagerei, mas enfim)
De qualquer forma, lendo o guia, vi uma nota a respeito da vestimenta: falava que o Camboja é um país bem conservador e existem algumas regras gerais de roupas: sem ombros nem barriga à mostra, sem nenhum decote e roupa sempre abaixo dos joelhos.
Imaginei que fosse um pouco de exagero. Então fui fuçar nos meus vídeos favoritados no youtube; e não é que, de fato, em Phnom Penh não tem nada acima dos joelhos ou de alcinha?
E fucei mais fotos pela internet - sempre calças no joelho em vez de shorts ou bermudas, blusinhas sempre com manga.
Não sabia dessa característica da sociedade cambojana. Vai ser um choque bem grande, pois morando em Barão Geraldo minhas roupas são exatamente justas, com ombros à mostra, shorts minúsculos - e não sobrou dinheiro para comprar roupas novas. Parece até que o maiô deve ser conservador - aparentemente as mulheres tomam banho de rio e mar vestidas.
Aproveito e deixo o vídeo da ong em que passarei boa parte do meu tempo em Phnom Penh.
Vale a pena.
(Aliás, é muito legal ver sites americanos falando como é ser um turista no Brasil; em São Paulo em especial! Fazem um terrorismo e tratam os "nativos" como se fôssemos uma sociedade primitiva que está entre o neanderthal e o homo sapiens; tá, exagerei, mas enfim)
De qualquer forma, lendo o guia, vi uma nota a respeito da vestimenta: falava que o Camboja é um país bem conservador e existem algumas regras gerais de roupas: sem ombros nem barriga à mostra, sem nenhum decote e roupa sempre abaixo dos joelhos.
Imaginei que fosse um pouco de exagero. Então fui fuçar nos meus vídeos favoritados no youtube; e não é que, de fato, em Phnom Penh não tem nada acima dos joelhos ou de alcinha?
E fucei mais fotos pela internet - sempre calças no joelho em vez de shorts ou bermudas, blusinhas sempre com manga.
Não sabia dessa característica da sociedade cambojana. Vai ser um choque bem grande, pois morando em Barão Geraldo minhas roupas são exatamente justas, com ombros à mostra, shorts minúsculos - e não sobrou dinheiro para comprar roupas novas. Parece até que o maiô deve ser conservador - aparentemente as mulheres tomam banho de rio e mar vestidas.
Aproveito e deixo o vídeo da ong em que passarei boa parte do meu tempo em Phnom Penh.
Vale a pena.
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