terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Phnom Penh

Achava que teria mais acesso a internet. O hostel em que estou, embora muito legal, nao tem internet - mas, pelo jeito, eh algo bem comum por aqui. O restaurante ao lado tem wi-fi, o hostel pega o sinal, e aparentemente um ou dois hospedes tem a senha. Um cara, porem, me passou errado e sumiu. Se conseguir a certa, soh alegria.


A musica aqui ainda esta em baby steps. Enquanto nao conseguir um sim card cambojano fica dificil marcar as aulas e etc. Preciso saber quando meu chapei fica pronto pra entao agendar aulas e visitas - de acordo com os ensaios que tiverem.


Resumindo, entao: estou completamente apaixonada por esse lugar. Foi uma viagem durissima, a primeira vez em que senti, de fato, meu corpo a beira de um colapso. Chegando em Bangkok eu mal conseguia andar, e o ritmo e a energia do aeroporto sao extremamente intensos, mesmo quase de madrugada. Muitos estrangeiros, e muitos turistoes. Fiquei conversando, em Doha, por horas, com um nigeriano gente finissima que ja morou no Vietna, ja veio bastante ao Camboja e etc, e ele sempre diz que todos os seus amigos que vao pra Bangkok nao querem voltar - wild partying. E um dos motivos, obviamente, eh o turismo sexual. Mulheres extremamente baratas, como eles mesmos dizem. Talvez tenha a ver com isso, nao sei, eu so queria ir embora de Bangkok logo. Passei uma noite la e me dei o luxo de dormir decentemente. Desisti de ir conhecer a cidade, seria muito imprudente com o estado em que estava.



Chegando no Camboja dei uma espiada pra fora da janela uns quinze minutos antes da aterrissagem. Foi amor a primeira vista. Ja de longe me apaixonei, ja de longe eh algo lindo. Como se fosse uma alma gemea, nao sei, faz tanto sentido eu estar aqui. Tudo aquilo que eu disse sobre a Europa, sobre a cultura e etc, eh por puro contraste. Nao refuto nada, por mim eu conheceria tudo se tivesse dinheiro - e eh bem provavel que va fazer uma pos-graduacao la, onde a etnomusicologia tem mais espaco. Eh simplesmente como, depois de varios namoros, voce encontrar aquela que eh a pessoa certa. Voce simplesmente sabe, pode nao ter explicacao nenhuma. E os outros namoros sao validos, claro; soh nao tinham esse sentido todo.



Estou completamente apaixonada por Phnom Penh. O clima eh super agradavel - nada muito diferente do Brasil; bate uma brisa deliciosa nesse sol gostoso (bem menos quente que o de Barao Geraldo, alias), as pessoas sao extremamente sorridentes e abertas, gentis demais. Estava procurando um sim card, com muita dificuldade, e resolvi perguntar a uma atendente. Ela comecou a rir, gostosamente, por nao falar ingles, e entao nos esforcamos ao maximo para travar comunicacao. Todos sao assim aqui, todos abrem um sorriso lindo e tentam ao maximo se comunicar.



O transito eh bem caotico, eh completamente normal entrar na contramao se for mais facil. As motos dominam as ruas, por serem mais baratas, e quando ha carros, a maioria eh 4x4. Impera a lei do maior - os veiculos maiores tem prioridade sobre os outros, e pedestres ficam em ultimo lugar. Mas todos andam aqui a 40 por hora, entao eh tranquilo se enfiar no meio das motos ate conseguir atravessar tudo.



As coisas sao extremamente baratas; o chopp, no happy hour (que dura o dia todo), eh sessenta centavos de dolares. Bebi varias com dois ingleses, de quem ja fiquei mui amiga, o namorado cambojano de uma e dois amigos deste. Foi muito legal conversar com jovens cambojanos, mesmo que o ingles tenha ficado um pouco para tras.


Os dois ingleses, alias, estao praticamente se mudando para ca. Se conheceram no hostel mesmo, ambos tinham voluntariado em diferentes orfanatos, agora estao procurando trabalho pra entao arranjar um apartamento. O dono do hostel, Roger, eh um americano da Louisiana, que alias eh guitarrista (e já tocou com o Bo Diddley!) Sensacional. Tem uma filha aqui e adotou outra crianca cambojana - estou apaixonada por ela. E eh reciproco, tenho vontade de rouba-la para mim!


Tudo isso para dizer que tem algo de especial nesse lugar. Me lembra Cavalcante, pois as pessoas nao querem ir embora. Conheci uns canadenses que disseram nao aguentar mais de uma semana em Phnom Penh, "too dirty". Mas, quem esta interessado na cultura local, nao quer sair. Sei que ainda tenho quase um mes pela frente aqui no Camboja, mas ja acho muito pouco. Nao quero ir embora.


Nao estranhem se eu nao voltar mais.

4 comentários:

Sofia disse...

Post mal escrito, sem acentos, etc. Bleh.

Ielisavieta disse...

Aaaaaah, que demais, meu deus, que demais!

Fico felicíssima de ler notícias suas, ainda mais tão boas notícias... Não consigo nem expressar a alegria!
Você merece, você merece.

Um beijo enorme com um sentimento maravilhoso!

Roberta Senda disse...

Lindíssima!!! É inacreditável ler notícias suas do Camboja!!! So exciting!!!
Estou aqui, presa numa sala gelada e duramente clara de órgão público, lendo seus maravilhosos relatos.

Obrigada, você me fez viajar um pouquinho, pelos seus maravilhosos olhos...

Como a Gabi, não consigo expressar o quanto fico feliz em ler essas notícias e saber que está bem.

Aproveite tudo da forma mais honesta possível.

Keep in touch!

Luciana disse...

O mais legal é que a expressão que você mais usou nesse post foi "estou apaixonada". Repetidas vezes.

Você tá na Ásia, meu. Não consigo acreditar.