Depois de ouvir um monte de música Khmer, tocar e estar imersa na cultura deles, parei para perceber coisas interessantes.
Depois de muito contato, intenso, com europeus, australianos e norte-americanos, no hostel, fui reparando que existe em mim um "developing country pride" muito grande. Nada que gere hostilidade, não, é só orgulho mesmo, por perceber o quanto eu amo meu país, minha cultura, minha língua, minha música. Inclusive por ter conhecido, profunda e superficialmente, muitos backpackers que não têm esse tipo de apreço por seus respectivos países. Gostam de sua casa, de seus amigos e família, mas em geral confessaram sentimentos de vergonha e tédio grande. Isso, claro, excluindo os opostos, como muitos que tratam os países visitados como prostitutas baratas, desrespeitando, só consumindo e sentindo nojinho enquanto o fazem.
E foi então que entendi que não é só um "developing country pride", é do Brasil mesmo. Baixei um monte de música brasileira, que ficou no desktop em Barão Geraldo, para gravar alguns cds como presentinhos de agradecimento e entregar, a pessoas fantásticas que conheci, no dia em que farei um jantar-despedida, com comida brasileira (feijoada e quindim) e música de fundo. Ao ouvir de novo música brazuca, após mais de um mês, me bateu uma coisa deliciosa. Estou triste por ter tão pouco tempo no Camboja, mas lembrar de como meu país é do cacete, em termos culturais, e de clima, e de sorrisos, amenizou um pouco a sensação de deprê. Percebi que, quanto mais me apaixono pelo Camboja e pela música Khmer, mais me apaixono junto pelo Brasil e pela nossa música.
Ora, é gracioso como os english-speakers falam que meu inglês é ótimo, mas que meu sotaque é exótico, duma forma legal. Falam que eu falo super cantado. Um canadense, que fez amigos brasileiros em Israel, disse que ao me ouvir brincando e fazendo piadas com ele sentia saudades, pois é um tipo de brincadeira que até hoje só viu brasileiros fazerem. O Arn Chorn-Pond disse que falo mais alto e expressivamente que o restante (foi com uma conotação positiva, gente, eu juro) e eu e dois chilenos passamos horas falando em espanhol (e de vez em quando um bom portuñol, pois eles adoram a sonoridade do português) de nosso continente e nossas culturas.
(Os únicos franceses que estiveram aqui, em grupo grande, entraram no dormitório (de onze camas) cantando La Marseillaise e não falaram com absolutamente ninguém... acho que tenho sim bode com franceses).
E por fim, lembrei muito de minha mãe, pois ouvindo diferentes músicas carnavalescas me deu uma saudadona de pular carnaval brasileira e tradicionalmente. Realmente me emocionou descobrir esse meu lado.
Agora, esperando para amanhã cedinho ir para Mondulkiri, longe de internet, calor e música Khmer. Outro lado do Camboja, e outro modo de ver elefantes, pois aqui é engraçado, na avenida, no Riverside, enquanto andando de moto, simplesmente passa um elefante andando no meio da rua.
Depois de muito contato, intenso, com europeus, australianos e norte-americanos, no hostel, fui reparando que existe em mim um "developing country pride" muito grande. Nada que gere hostilidade, não, é só orgulho mesmo, por perceber o quanto eu amo meu país, minha cultura, minha língua, minha música. Inclusive por ter conhecido, profunda e superficialmente, muitos backpackers que não têm esse tipo de apreço por seus respectivos países. Gostam de sua casa, de seus amigos e família, mas em geral confessaram sentimentos de vergonha e tédio grande. Isso, claro, excluindo os opostos, como muitos que tratam os países visitados como prostitutas baratas, desrespeitando, só consumindo e sentindo nojinho enquanto o fazem.
E foi então que entendi que não é só um "developing country pride", é do Brasil mesmo. Baixei um monte de música brasileira, que ficou no desktop em Barão Geraldo, para gravar alguns cds como presentinhos de agradecimento e entregar, a pessoas fantásticas que conheci, no dia em que farei um jantar-despedida, com comida brasileira (feijoada e quindim) e música de fundo. Ao ouvir de novo música brazuca, após mais de um mês, me bateu uma coisa deliciosa. Estou triste por ter tão pouco tempo no Camboja, mas lembrar de como meu país é do cacete, em termos culturais, e de clima, e de sorrisos, amenizou um pouco a sensação de deprê. Percebi que, quanto mais me apaixono pelo Camboja e pela música Khmer, mais me apaixono junto pelo Brasil e pela nossa música.
Ora, é gracioso como os english-speakers falam que meu inglês é ótimo, mas que meu sotaque é exótico, duma forma legal. Falam que eu falo super cantado. Um canadense, que fez amigos brasileiros em Israel, disse que ao me ouvir brincando e fazendo piadas com ele sentia saudades, pois é um tipo de brincadeira que até hoje só viu brasileiros fazerem. O Arn Chorn-Pond disse que falo mais alto e expressivamente que o restante (foi com uma conotação positiva, gente, eu juro) e eu e dois chilenos passamos horas falando em espanhol (e de vez em quando um bom portuñol, pois eles adoram a sonoridade do português) de nosso continente e nossas culturas.
(Os únicos franceses que estiveram aqui, em grupo grande, entraram no dormitório (de onze camas) cantando La Marseillaise e não falaram com absolutamente ninguém... acho que tenho sim bode com franceses).
E por fim, lembrei muito de minha mãe, pois ouvindo diferentes músicas carnavalescas me deu uma saudadona de pular carnaval brasileira e tradicionalmente. Realmente me emocionou descobrir esse meu lado.
Agora, esperando para amanhã cedinho ir para Mondulkiri, longe de internet, calor e música Khmer. Outro lado do Camboja, e outro modo de ver elefantes, pois aqui é engraçado, na avenida, no Riverside, enquanto andando de moto, simplesmente passa um elefante andando no meio da rua.
2 comentários:
flor, muito bom ler isso, ainda q meio atrasada. me sinto representada. hj fui num restaurante brasileiro e só queria mesmo era voltarrrrr
:)
Ah, que sensação deliciosa.
Eu também nutro um carinho extremo pelo Brasil, sempre nutri, e acredito que música ajuda MUITO nisso.
Lembre-se também de que os brasileiros são maior legais, quando dar bad de voltar, especialmente as brasileiras, paulistanas chamadas Thalita que te amam tanto. ; )
Eu não comentei no outro post, mas apóio integralmente a idéia da moto! Acho o máximo!
Postar um comentário